Sobre o que não precisa fazer sentido


Dentro do peito, atadas aos meus ossos, uma série de memórias.
Amassadas, meio roídas, bichadas até. Algumas pela metade, outras por inteiro. Algumas bem tristes e outras, nem tanto. Mas todas, absolutamente todas, doloridas.
Descansa em paz a vida que eu deixei. Amontoados e silenciosos, estão os sonhos que eu desisti de sonhar. Uma partezinha – ainda que insignificante (mais ainda, pasme!) – de mim morreu nalgum momento do percurso, mas eu não sei dizer quando, nem o motivo. Guardo sua lembrança, entretanto, quase como se esperasse ansiosa por seu retorno. Mas o que está enterrado, não volta.
Sepultei em mim certas coisas que não gostaria de mostrar para ninguém. Guardei, egoísta como sou, sorrisos e lágrimas. Alguns meus, outros não tanto. Outros esses que eu desejei que fossem meus, mas nunca foram, e que mentiram ao dizer que eram.
Sou um mausoléu de farrapos e de olhos que se perdem no chão. Minhas palavras são o meu cortejo, os meus ritos. E meus fantasmas não são mais do que reflexos de mim.

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4 thoughts on “Sobre o que não precisa fazer sentido”

  1. DEUS, COMOLIDAR COM TANTA PERFEIÇÃO? @_____________@’
    Amor, é lindo, lindo, lindo, lindo demais. Eu estou sem palavras. Eu amei demais esse texto, tão curto e tão cheio de significado. É maravilhoso.
    Você é meu gênio preferido ._.

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