Um tanto dela e de sua falta de nexo

Você me ama? Isso é o mais importante. Todo o resto eu me desviro para tentar compreender e aceitar. Eu te respiro quando me sinto sufocada. Eu te acolho nos meus braços porque acolher você faz com que eu me sinta protegida. Isso não faz sentido, mas é assim que as coisas funcionam para mim. A dor alimenta essa necessidade avassaladora que eu tenho de você. Esse desejo tão imenso que me impede de ver que você destrói tudo o que sobrou de mim. Ah, essa vontade de você que me impede de comentar o cheiro de outro perfume na sua roupa, o beijo marcado na sua nuca, o roxo anormal estampado no seu pescoço. Eu sei o que você estava fazendo, mas eu não me importo. Eu te amo. Não me deixe. Cada parte de mim, nessa vergonha gritada de ser toda, toda sua, implora. Fica. Eu posso ir embora quando eu quiser – o que eu sei que não vai acontecer enquanto você ainda exercer esse fascínio doentio sobre mim -, mas você, ah, você não. Você não pode ir. Eu aceito suas mudanças, seu comportamento que vai contra cada palavra proferida antes. Você é tudo que eu desprezo no corpo que eu amo. É o corpo que nem meu é, mas me pertence em cada gesto que eu já decorei. Eu te amo. Você se lembra do que me disse quando nós nos conhecemos? Lembra do brilho estranho nos meus olhos? Eu lembro das suas mãos nas minhas e da forma como você me prometeu, uns tempos depois, tantas coisas que nunca vieram. Eu não o culpo. Só não vai. Há tanto de você na forma como eu me porto que eu acho que desmaio se você for embora. Eu me recriei por você. Eu como falo ando respiro penso e penso e penso e é você que prevalece, acima de todo o amor que eu um dia tive por mim mesma e quer saber, eu não me importo. Você me ama? Diz que me ama, que tudo fica bem de novo. Eu deixo você sentir outra boca na sua, desde que eu não reconheça o batom. Eu entendo. Não. Esqueça. Esqueça tudo. Eu vou, isso sim. Você que fique aqui, meu Deus, o que é que eu estou fazendo comigo agora – o que é que eu fiz comigo esse tempo todo? Quem sou eu? O que houve com o meu cabelo? Eu lembro de você me dizendo que gostava de cabelos escuros, e isso sou eu, então. Essa personificação de algo que eu nunca seria se não fosse… Eu vou. E eu te vejo um dia desses, quando você souber quem você é. Aí eu saberei quem eu devo ser.

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