Quando eu era pequeno, mamãe me dizia que um dia eu seria grande. Eu pensei, bom, se ela diz, é verdade.
(Até então eu não sabia que mamãe era uma sonhadora. Se ela não o fosse, se ela pudesse ser sincera, ela me diria: você vai ser uma pessoa medíocre, de sonhos tão medíocres quanto. Você vai lutar a sua vida inteira por um reconhecimento que você não merece, para provar para si mesmo que você não é tão patético quanto você sabe que é. Você tem prazo de validade; todo mundo tem. Só é uma pena que o seu seja mais curto do que o da maioria. Você é fraco, pequeno e rancoroso. Todas as palavras de amor que você lançar no mundo vão voltar para você como tapas, porque é assim que tem que ser. Ser amável e caridoso só traz indiferença; não perca o seu tempo. A verdade é que ninguém se importa. Seu único amigo é a sua cara torta no espelho. Convenhamos, quem é que gosta de uma cara torta? Seu único amigo é o silêncio, porque ele te expõe inteiro aos seus olhos aflitos. Não há nada em você que seja único, digno de admiração ou apreço; cada momento na sua presença é um instante de asco puro. E você, meu filho, não é nada para o mundo)

Mamãe me fez crescer com a certeza de que eu era um bom menino. Beijava-me as pálpebras, apertava as minhas bochechas.

(Mamãe devia ter me dito que a única coisa boa em mim era a minha saúde. Todo o resto era podre.)

Anúncios

8 comentários em “”

  1. Nesse texto está escrito com certeza, todo o contrário do que você é. [2]
    Exatamente.

    E eu me vi nesse texto, todinha, inteirinha. Você é genial, Sunset. Genial.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s