Então senta aí comigo, companheiro, pega essa agulha e rasga a minha pele. Não precisa ter tanto cuidado não, meu bem, eu não vou quebrar. Eu vou fechar os olhos e vou segurar o choro e vou morder a boca até sujar a maca de sangue, mas eu quero que você faça isso. Rasga bem fundo, rasga de uma vez, sem nem pensar, sem nem tentar conter esse ímpeto. Eu quero cor, eu quero tinta. Eu quero lembrar disso pelos próximos dias, quando olhar para a ferida aberta e lembrar que eu ainda estou viva. Porque é só assim que eu consigo, você entende? Não, eu não sou doida, eu não sou dessas. Não tô querendo sua piedade não, meu irmão, tá pensando o quê? Eu nem te conheço. Só faz o que eu tô mandando, o que eu tô te pagando pra fazer. Rasga bem fundo, tão fundo que eu não vou ter tempo nem de mudar de idéia. Me marca, apaga as outras marcas, eu quero sentir isso. Eu quero sentir isso porque é a única coisa que eu sinto. Vai doer. Eu sei que vai doer. E eu quero que isso aconteça. Porque se doer por fora, meu bem, se doer por fora, eu acho que vai parar de doer por dentro.

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2 thoughts on “”

  1. “Porque se doer por fora, meu bem, se doer por fora, eu acho que vai parar de doer por dentro.” O ruim é que muitas vezes não pára.

    Fico um tempinho sem aparecer por aqui e quando volto tem um montão de textos maravilhosos ;_;
    Adorei o novo topo, aliás *0*

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