E ao vir-lhe o cuspo diário à boca fria
O vencido pensava que cuspia
Na célula infeliz de onde nasceu.

(Augusto dos Anjos)

Então eu vou te olhar nos olhos e dizer que talvez não seja bem assim, mas a verdade é que é bem assim sim e bem eu não sei segurar minhas palavras porque minha língua é feroz demais, venenosa demais para ser contida quando quando quando meu coração diz que eu tenho que dizer e eu não estou fazendo sentido.
Pausa.
Respiro.
Respiro de novo.
E eu digo que talvez eu não seja tão ruim assim, mas eu sou eu sou meu Deus eu sou tão ruim quanto qualquer pessoa ruim pode ser e Meu Deus como isso dói. E eu sou tão ruim, mas tão ruim que eu tinha que ter nojo de ser eu. Ah como dói não poder mudar de corpo ou mudar de mente e meu amigo ri e ri e ri um pouco mais, balançando os cabelos compridos e ele me diz ‘ah, babaca, deixa disso, reage, que nada, fica tranqüila, você vai morrer pensando demais’ e eu sei eu sei que vou mas você podia mentir e dizer que eu não vou, que vou perder a consicência antes de enlouquecer por conta dela.
E eu queria tanto tomar aquele coquetel de remédios esperto que deita no meu armário mas eu não posso porque algo me impede – só não sei o quê. E eu odeio não saber porque se soubesse podia fazer com que ele parasse e nada mais me impediria porque você sabe, isso dói. Dói como o inferno se você quer saber mas oh não deve ser de fato importante.
Ah se você soubesse talvez pudesse tirar isso de mim.
Mas você não sabe não sabe e pronto. Por isso vai continuar doendo.

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