Ersatz

Cada um não é um; é poli, é dez, é mil. Dentro de um pequeno corpo cabe um e um milhão; uma dúzia e mais um tantinho.

Um homem não se mede pela firmeza do caráter, mas pela maestria da interpretação. Não há só um demônio no comando – cada qual é uma legião.

Nossa mente é um armário fechado, cheio de máscaras poeirentas que volta e meia nós nos forçamos a colocar. É um móvel velho, abarrotado de personagens que amamos e odiamos (verdade: somos tão obcecados por eles que eles nos têm mais do que nós os temos. Somos criação deles).

Nós não sabemos quem somos sem as fantasias que nos dizem tudo sobre nós. Como dizer, o que dizer, quando dizer, a maneira como sentamos e cruzamos as pernas ou descruzamos os joelhos ou passamos a língua pelos lábios.
Nós não sabemos quem somos sem as mentiras que nos definem inteiros, dos pés aos cabelos forjados.

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9 comentários em “Ersatz”

    1. Essa é uma ótima pergunta, meu bem. Eu gostaria de poder respondê-la.

      Obrigada!
      (Então, eu adoro muito essa palavra. Eu costumo usar ersatz quando falo sobre uma substituição insatisfatória, sobre uma troca injusta e inferior. Não sei se há algum jeito de traduzi-la para o português sem fazer com que ela perca o sentido. Essa palavra já foi usada, por exemplo, em uma letra do Marilyn Manson (Rock is dead). Acho tão sonora. Huoaheouahe.)

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