Algo

Mas essa vida não tem sentido, eu te digo com certa dor no peito. Essa vida não tem qualquer razão. A gente come, bebe, engorda, estuda vinte anos para ganhar um diploma que não vale nada, faz primeira comunhão, arranja namorado, perde namorado, chora,  pede ajuda para Deus, emagrece, estuda mais quatro, cinco, seis, doze anos para se sentir um pouco mais útil para si mesmo e para a sociedade (ou para comprar um Mercedes), pinta as unhas, passa maquiagem, ganha rugas, se casa ou não casa nunca (amém, aleluia), se divorcia, perde a fé e não encontra mais, se aposenta e olha para trás e nota que viveu tanto tanto tempo em função de nada que precisa ir ao médico e implorar pelo Rivotril. A gente morre em vão.

[…]

Eu não quero isso. Eu quero uma existência zerada. Quero fazer tudo. Quero começar e recomeçar, transformar tudo o que é tão feio em algo do qual eu possa me orgulhar. Eu quero ser a pintura. Eu quero que você seja um dos meus quadros. Eu quero me atirar em você, forte o suficiente para entrar na tela e não sair. Não sair, nunca. Quero que nós sejamos a obra prima. Quero a gente exposto por aí. Se transforma em mim, que eu me transformo em você e nós viramos arte. E partimos dessa vida com a certeza de que viveremos para sempre.

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6 thoughts on “Algo”

  1. “Eu quero ser a pintura” Eu achei essa frase muito muito muito boa, de verdade ._.

    “Quero que nós sejamos a obra prima. Quero a gente exposto por aí. Se transforma em mim, que eu me transformo em você e nós viramos arte. E partimos dessa vida com a certeza de que viveremos para sempre.” Que conjunto de orações mais geniais, cara. Você sempre escreve essas coisas que me fazem ficar de boca aberta ;_;

  2. Seu pedacinho de poesia ambulante! Acho que o tema desse texto lindo uma vez na vida passa na cabeça das pessoas, mesmo que somente na adolescência e depois visto como “besteira passageira”, ou não. Well, eu particularmente daria um Ctrl C e usaria em algum About Me em redes sociais, se não fossem minhas auto-decepções. Cultivar problemas antigos e tê-los, no fim, como características suas é um problema. (É o meu.) Nhac.

    1. NHAC gigante!
      Então, essas coisas passam pela minha cabeça o tempo inteiro. Não abandonei a minha adolescência ainda. Não sei se abandonarei um dia. Bizarro.
      Muito, muito obrigada mesmo, coisa querida.

  3. Vim aqui vagar novamente (como sempre faço) e me peguei babando nesse texto de novo. Esse segundo parágrafo é bem difícil de se esquecer. Marcou mesmo, mesmo.

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