Sempre que alguém me diz “vai com Deus”, eu hesito. Penso em dizer que a concepção divina não me alcança, juro que até me vem à cabeça a idéia de comentar que a mentalidade difundida de um ser onipotente não me parece das mais adequadas. Aí eu me lembro que já acreditei em muita coisa e meus ombros caem. Então me vem a percepção de que eu já estive do outro lado e não gostei nada quando me disseram que eu não deveria acreditar em x, y, ômega. Então eu respiro fundo e termino calada. Permaneço muda e reafirmo dessa forma que eu, enquanto boba e miúda, não tenho qualquer direito de falar contra a autoridade de algo que mantém alguém de pé, se isso não me traz qualquer mal. Aceito a gentileza, ensaio um sorriso tímido e saio abençoada.

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6 thoughts on “”

      1. Bem, sou meo (meio? Não sei.) anti-religião. Muito Nietzsche, Feuerbach, Japiassu e Freud na minha vida, acho. E aí, sempre que alguém me fala de deus, eu tenho vontade de dizer que deus não existe, que deus morreu, que deus é você exteriorizado e você precisa se libertar dessa prisão de se venerar como se você fosse fora e sua própria causa. Não sei se deu para entender.
        Mas aí, de repente, eu lembro que eu já acreditei em tanta coisa e, principalmente, que doeu tanto deixar de acreditar, que eu deixo; como se eu quisesse deixar a pessoa naquela felicidade ilusória só mais um pouquinho porque, caralho, dá medo deixar de acreditar. Dói ficar sem chão.
        E, como uma amiga minha religiosa disse quando prometeu que ia rezar por mim: “Eu sei que para você não faz diferença, mas para mim faz. É o meu jeito de te ajudar”. E às vezes eu acho que é só isso mesmo, que a boa intenção basta. Ouço um “vai com deus” como se fosse um “dirija com cuidado”, um “vou rezar por você” como um “vou fazer o que puder para te ajudar”. Nunca, por exemplo, diria para essa menina para não rezar por mim porque deus não existe, por mais que acredite nisso.
        É meio contraditório, acho, mas também acho uma questão de respeito, mesmo que respeito pelas ilusões dos outros.

      2. Internamente eu fico me corroendo, louca para falar alguma coisa. Mas eu já acreditei muito, então eu sei bem como é se “desgarrar” das ilusões. =| Tenso, mui tenso.

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