Ela tinha um sorriso assim, meio manchado, meio colocado ali por engano. Não é comum que meninas de dezoito anos tenham esse sorriso quebrado, mas ela tinha e eu não sabia bem o motivo. Só sabia que ele estava lá e que doía como tudo aquilo que expõe mais do que deveria.

Ela tinha uns olhos assim, meio aguados, meio grandes de mais para um rosto como o dela. Era engraçadinha, na melhor das hipóteses. Tentava sê-lo, pelo menos, na maior parte do tempo. Falhava, coitada. E complementava o sorriso decepcionado com bochechas vermelhas de vergonha.

Ela não tinha muita sutileza. Era pouco menina perto das outras meninas e eu acho que isso só adicionava ao conjunto de deslizes que ela era inteira. Tem quem goste das destrambelhadas, iguais a ela. Essas que se preocupam tanto em parecer com todas que se destacam pela estranheza, essas dos olhos que socam o chão. Tem quem goste. Nunca conheci, mas acredito em exceções. E ela também. E ela espera, muda, pelo dia em que encontrará as portas abertas.

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4 thoughts on “”

  1. “Essas que se preocupam tanto em parecer com todas que se destacam pela estranheza, essas dos olhos que socam o chão. Tem quem goste. Nunca conheci, mas acredito em exceções.”

    Eu também nunca conheci, mas no fundo, bem lá no fundo, ainda tenho esperanças de encontrar exceções. Quem sabe, não é?

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