Pode bater; eu agüento. Juro que até gosto. Sei que parece estranho, sei que não combina comigo, etc e tal, pode falar o que quiser, mas eu gosto. Eu me sinto mais eu quando está latejando. Eu me sinto mais forte quando dói assim tão fundo. Não sei de onde veio esse defeito, mas ele me mantém de pé. E eu preciso dele.

Pode perguntar; eu respondo. Juro que respondo a verdade até que ela comece a me incomodar. Não tenho problemas com ela, mas não vou falá-la o tempo todo. Não para essa ou aquela pessoa. Tem gente que não pode saber do que se passa. Tem gente que não precisa, na verdade. Tem gente que até poderia saber, mas veja bem: eu não quero contar.

(Assim baixinho, em tom de segredo, confesso que eu me sinto melhor quando perguntam, porque tenho a impressão de que se alguém se importa).

Eu não sei de onde vem essa ânsia e nem explico o motivo pelo qual ela me consome, mas ela está aqui e me devora e eu, previsível, preciso dela também.

[…]

Pode fazer o que quiser; eu sou pedra. Sou quase uma ilha. Volta e meia um barco me alcança, mas eu não o deixo ficar por muito tempo. Ele não pode. Até poderia, mas eu não quero.

Sou terreno hostil; sou selvageria. Pode fazer o que quiser comigo; eu agüento, eu aceito, eu gosto, até. Mas você passa e eu fico. E é assim que tem que ser.

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