Ele confessou baixinho que era total e loucamente apaixonado por ela. Disse, gaguejando, que não conseguia sonhar com outra pessoa e que tampouco desejava qualquer outro corpo por aí. Ele a queria e só ela, por todo o tempo em que estivesse vivo e de uma forma tão intensa que ele não entendia como não tinha morrido ainda.
Ela disse a verdade. Nada mais do que a verdade, porque ela era assim. E ele gostava de sua sinceridade num geral, mas não gostou naquele momento. Ela murmurou que não podia, que não dava, que não era bem assim, porque ela não podia pertencer a ninguém além dela mesma. Ela murmurou mil desculpas, porque não sabia o que fazer além de pedir desculpas e esperar que ele as aceitasse.
Ele assentiu e disse que compreendia. Não houve insistência. Ele não tentou fazer com que ela notasse que ele era o homem da sua vida, mesmo que ele soubesse que era. Ele não tentou obrigá-la a retribuir, porque sabia que ela não podia. Desejou-lhe paz, desejou-lhe alguém. Desejou sê-lo, mas não era e sabia.
Ela ficou surpresa; não conseguia entender. Perguntou-o se ele estava bem com aquilo. Ele disse que não, obviamente, mas eu gosto de você o bastante para saber que você não gosta de mim o bastante.
E ela o amou pelo desapego. E ele a odiou pelo mesmo motivo. E tomaram outros caminhos e nunca mais se viram.

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