Fragmento

O engraçado sobre mim é a forma como eu enxergo os meus erros. Acho que todo mundo que é normal e feliz consegue pensar nos erros como coisas ruins que ensinaram coisas boas ou merdas experimentais. Eu penso nos meus erros como falhas de caráter terríveis. Mais do que isso, são feridas incuráveis ou sei lá, um tipo de câncer que não tem mais jeito. Qualquer coisa que se aproxime bastante disso.

Eu estou completamente ciente de que não posso agir da forma mais correta ou trilhar o caminho mais ético sempre. Volta e meia eu preciso escorregar. Volta e meia eu escorrego feio e não preciso disso. Eu tento camuflar minha constrangedora falta de jeito com palavras safadas e piscadelas, mas no final só pareço uma idiota que pisca e flerta pra camuflar uma insegurança que não vai embora.

Culpe a minha ausência de convivência com seres humanos por tamanho vexame. Culpe o meu espelho deformado pelo excesso de maquiagem. Culpe todos os fatores que me fizeram eu e eu não estarei, ainda assim, satisfeita. Vou atribuir tudo de errado que eu fizer ao meu cérebro danificado, ao meu amadurecimento precoce que acabou regredindo (milagre! milagre!), aos meus desejos e à minha libido, ao meu medo de ser trocada, ao fato de eu ser sempre trocada, ao meu existir. A mim. Só a mim.

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2 thoughts on “Fragmento”

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