Olha que engraçada é a vida; olha como é difícil prever o dia de amanhã. Dois ou três ou sei lá quantos anos atrás, éramos nós dois e mais ninguém. Havia a forma como você me pegava pela cintura e a forma como eu agarrava o seu cabelo com minhas unhas curtas, das quais você sempre debochou. Havia seu jeito de me dizer que não entendia como eu podia ser tão loucamente apaixonada e o meu jeito de te perguntar se algum dia você deixaria de querer mais.

Olha que engraçada é a vida. Olha como nós dois criamos essa doença juntos. Você me taca verdades na cara e não aceita que eu te direcione a culpa. Olha nós hoje, veja bem você, como pode. Você lá e eu cá. Há a forma de você ser esmagado na parede por outro corpo e a minha forma de fugir de contato. Há você lambendo bocas e latrinas e eu querendo competir e chamando, chamando, pedindo baixinho que vem, vem agora. Vem com seus ares de puta, seus ares de vilão, seus ares de superioridade que me tiravam da rota. Vem, agora, se você ainda lembrar o meu nome.

(Você lembra? É só para saber o que você tem que gritar, na hora certa. É só o que eu espero de você agora.)

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