Primeira versão feita em 2008. Originalmente publicada no fotolog antigo.

 

Engraçado como alguns momentos ao lado de alguém podem criar um sorriso tão grande. Engraçado como a falta deles pode trazer essa saudade moída, essa depressão em formato de poesia. Acho que eu perdi o sentido no meio do caminho, eu larguei enquanto viajava. Mas esse coração agora não me parece tão necrosado. Essa é uma compilação de pensamentos, de desejos, de sonhos que morreram na estrada enquanto eu voltava, mas que pegaram uma carona com sabe-se lá quem e que riram de mim ao me encontrar na rodoviária. Achava que podia explicar tudo, até que pediram para que eu me explicasse. Aí eu me perdi; notei que não sabia explicar o inexplicável, o desastre da natureza – o gráfico falho. Achava que não sentia nada, até me fazerem sentir na marra e eu implorar por isso depois. É esse choque, esse contato, desfibriladores e dói dói dói mas é tão bom, porque de repente, olha, você está vivo. E você está vivo pela primeira vez na vida e de repente você diz meu Deus eu estou vivo e você, nossa, não pode explicar isso também. Aí você pensa – eu penso – que talvez haja um motivo para você – eu – estar aqui. E você – eu – sabe – sei bem – que talvez terá sabido o porquê de ter estado aqui se morrer amanhã. E você pega os seus sonhos, puxa-os pelo colarinho. Beija beija beija porque eles são lindos e nunca te abandonaram, mesmo quando você quis abandoná-los e largou-os no caminho, jogou-os pela janela. Engraçado como eles voltaram e te abraçaram e te disseram oi já fez o café da manhã e você disse oi bem-vindos senti saudade e tudo é bem assim, sem pontuação, sem regras gramaticais, porque parece que é mais gostoso quando você erra por querer. É gostoso fazer coisa errada porque você tem o poder. Mas nada é errado, você nota depois porque, poxa vida, quem é que diz o que é certo? Quem é que diz o que é errado? Aí você vê que não faz diferença e começa a viver pelos erros que te fazem bem. Todas as convenções nas quais você se espelhou para viver parecem tão bobas e inválidas que você por um momento se pergunta como pôde segui-las. Aí você diz nossa, que bobo eu era por pensar que todo mundo devia viver a mesma realidade, quando a realidade é que é você que faz a própria realidade e nossa nossa, eu teço a tapeçaria do destino como eu quiser. E eu sinto o que eu quiser sentir por quem eu quiser sentir sem precisar de um motivo palpável para fazê-lo. Quem precisa justificar o ódio?
Quem precisa justificar o amor?
Engraçado como alguns momentos ao lado de alguém podem criar um sorriso tão grande. Engraçado como a falta deles pode trazer essa saudade moída, essa depressão em formato de poesia… (Repete infinitamente)

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