À Alice, com saudades.

Pequeno complemento desse aqui, ó: https://spleenitique.wordpress.com/2010/07/28/28/

À Alice, com saudades

Existem coisas que ficam, quando tudo mais vai embora. Eu tentei deixar a memória daqueles dias bem para trás, substituir cada frase dita por um eufemismo gostoso, mas não foi possível. Por mais que certos eventos sejam agora borrões, existem aquelas lembranças. Aquelas que doem mais do que entalhes na carne, aquelas que me fazem acordar de madrugada e chorar sobre o travesseiro como se fosse o corpo dela. Como se fosse o meu.

Quando termino minha dose, esse mix de ansiolítico e bebida barata, eu sorrio. Alice me olha, sentada sobre a grade da sacada, e corresponde. É a voz dela que eu ouço quando caminho trôpego até o banco e são aquelas mãos de unhas postiças que me ajudam a fechar o nó.

Eu penso: Alice, eu sou como você. Você sabe que eu tentei fugir da verdade, que eu tentei te amar menos e me amar mais, mas vê: eu posso correr de quem eu quiser, mas não posso correr de mim. Não posso correr de você, tampouco, e é seu exemplo que eu sigo agora.

Ela me beija na boca quando eu me atiro e é nos lábios dela que o mundo fica escuro.

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