Ao único

De todas as coisas que eu amei, de todos com quem tive a chance de estabelecer qualquer coisa, eu escolhi você. Eu escolhi você e a sua inconstância, você e toda a dor que eu sabia que viria de brinde, você e as manhãs caóticas, as noites barulhentas, você e os rompantes terríveis. Eu escolhi você porque me parecia seguro, mesmo que obviamente não houvesse segurança nenhuma em qualquer relação – fosse qual fosse – com a sua pessoa. Eu escolhi você porque precisava de alguém para segurar o meu pior e eu queria o pior de alguém para ter certeza de que tudo o que estava acontecendo era real. E foi real. Foi real, foi brutal, me machucou por dentro e por fora e eu continuo sangrando por todos os meus poros enquanto espero que você volte e me arranque mais alguns pedaços.

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5 thoughts on “Ao único”

  1. Teu blog é realmente um achado. Não seu mais o que comentar. Estou viciada na sua escrita e queria sua permissão para imprimir seus textos. Quero eles guardados, para que num futuro breve eu possa relé- e me encantar da mesma forma a cada leitura.

  2. “Eu escolhi você porque precisava de alguém para segurar o meu pior e eu queria o pior de alguém para ter certeza de que tudo o que estava acontecendo era real.”
    Meu coração se auto-flagela quando leio essa frase, sério. Tão real que é impossível não se sentir vulnerável e ao mesmo tempo, acreditar naquela sensação de segurança. O mais lindo é como você consegue escrever tão perfeitamente. Quase morri lendo.
    Dá vontade de fazer várias cópias e distribuir na Cinelândia ao lado dos poetas de cordel e… Sei lá, aposto que as pessoas seriam mais felizes lendo o que você escreve.

  3. Quando leio “Ao único”, não seu porquê, alguns versos de I am the highway” (Audioslave) ilustrando a desilusão do narrador.
    ” I am not your rolling wheels. I am the highway. I am not your carpet ride. I am the sky.(…) I am not your autumn moon. I am the night”.
    A voz do Chris Cornell cria essa atmosfera que talvez o personagem já tenha passado. Enfim, apesar de já ter comentado aqui, não pude deixar de admirar cada palavra novamente.

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