Senhora

Houve um tempo, veja você, em que era fácil voltar meus olhos para o horizonte e criar uma nova casa em algum lugar qualquer. Meu reino mudava de posição, eu movia meu trono e íamos felizes para perspectivas melhores. Eu não precisava me preocupar com raízes, veja você. Nos meus domínios e segundo a minha lei, ninguém precisava de permissão para ser. Segundo minhas regras, essas escritas em letras garrafais, seu único cárcere era o seu corpo e você não deveria se preocupar, porque um dia estaria livre dele também. Era fácil viver assim. Era cômodo e feliz. Mas a felicidade, bem, que passageira ela é.

De dona de mim, senhora dos meus gestos, passei a mera reprodutora da vontade alheia. De altiva, imponente e decidida, passei a submissa de ombros caídos.

Minha coroa foi tomada por motivos justos.

Resta-me ser o bobo da corte e obedecer ao novo rei.

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