Essa noite, eu sonhei que você viria.


Essa noite, eu sonhei que você viria.

Como todos os que sonham com algo que esperam que venha logo, eu sonhei que você estava a caminho. E no sonho era real a forma como eu arrumava os meus cabelos para te esperar e reconhecia os seus passos quando você virava a esquina.

Suas mãos tinham o tamanho certo para envolverem as minhas. Eu pensei em dizer, mas desisti quando você colou seu peito ao meu e me ofereceu aquele sorriso aberto que dizia mil coisas diferentes. O verde por detrás dos seus cílios me congelava a espinha, mas pela primeira vez, eu não fugi. Parecia apenas certo que eu mergulhasse em você como você queria mergulhar em mim. Aceitei aquela entrega atípica e afundei no seu abraço como quem pedia por abrigo.

Não se parece comigo essa pessoa que anseia por você, eu disse. Não me lembro de mim mesma quando penso no que eu sou quando sua voz cantarola bobagens, mente verdades encantadoras, promessas que tardam e falham. Você me entende? Você disse que sim, que não havia como escapar da necessidade que você tem de mim porque era a única coisa real que você conhecia. E que doía, veja, doía não conseguir ser dependente de outra coisa.

Não havia música. Não havia qualquer som senão o som das nossas vozes, mas nós dançávamos – num passo lento de quem temia o final da dança. Seus pés me levaram rua afora e eu aceitei. E você me conduziu sem pressa, sorrindo, declamando os mesmos discursos irreais que me levaram de volta para a minha cama vazia. Abri meus olhos.

Essa noite, eu sonhei que você viria.

E quando eu acordei, era real a forma como os meus cabelos estavam desfeitos e seus passos não se faziam ouvir.

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3 thoughts on “Essa noite, eu sonhei que você viria.”

  1. Pode parecer piegas, mas não consigo definir um comentário que disserte com completude a maneira que esse texto me tocara. Na verdade, estou aqui, entre soluços, a procurar um porquê das lágrimas em meu rosto se sucederem a cada releitura. Como um deja vu, sutilmente, invades o corpo com a beleza de suas palavras, elas, por sua vez, preenchem o vazio que a razão ocupa para revestir aquela área sensível no peito, que a cada movimento respiratório, antes miserava sem sua prosa, e agora, não consigo mais vir ao teu blog sem ter aquela sensação de vou encontrar algo que me falta.

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