Sem cerimônia

Então você entra e as coisas parecem diferentes. A música fica mais baixa, o cheiro de fritura e bebida desaparece e as vozes ao meu redor ficam roucas e sussurrantes. Você anda com calma, os quadris gingando devagar, seu olhar passeando pelo ambiente com um interesse que tem um sem número de intenções. Você tem olhos verdes, eu percebo quando você me encara e eu sinto aquele frio na espinha que não me parece comum. Você tem olhos verdes e um sorriso meio maldoso e adorável que se escancara quando você vê que eu te vejo, também.
Há algo em você que não parece concordar com o ambiente que nos cerca. Você tem classe e pernas longas, sapatos polidos e calças impecáveis. Tem cheiro de perfume caro, eu aposto, mesmo à distância. Eu poderia me embriagar do seu pescoço.
Penso em me aproximar. Ensaio uma ou duas falas, dessas bem clichês. Você está perto de mim antes que eu tenha coragem de fazer qualquer coisa. Pede licença – e eu anoto que, bem, como é difícil encontrar alguém educado hoje em dia -, senta-se ao meu lado e pega a minha mão. Assim. Sem cerimônias, sem medo de rejeição. Com aquele jeito meio arrogante e meio seguro demais que não faz menos do que me chacoalhar o corpo inteiro. Suspiro.

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4 thoughts on “Sem cerimônia”

    1. Sabe que eu só vi isso agora?
      Não posso perder a chance de, mais uma vez (felizmente!), te agradecer imensamente pelo carinho, gentileza e presença. É uma honra ter você por perto.

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