É que tenho pressa

Que há? Que há é que tenho pressa – se você pode esperar, que bom para você. Eu, por mim, não posso. Não há tempo o bastante no mundo para o que eu espero fazer. Odeio dormir, às vezes, porque isso me priva de dar uns dez passos adiante. Que diabos. Oito horas por noite? Oito? Você deve estar brincando. Meu corpo deveria se bastar com uma ou duas e olhe lá – olhe lá! Como se eu tivesse oito horas para dar assim, de bandeja, para qualquer coisa desimportante como a minha cama.

Que há? Que há, meu Deus, que há tanto em minha lista e meus relógios tiquetaqueiam desesperadamente nas cômodas, nos bolsos, nas paredes. Todos os lugares parecem me avisar que eu estou morrendo, que o acaso pode me pegar na virada da esquina. Eu minto que não tenho medo da morte, mas é claro que eu tenho. Eu tenho medo do que eu não conheço. Eu tenho medo do que pode me impedir de ir em frente. E eu preciso ir em frente, porque eu não sei retroceder, porque eu não quero retroceder, porque eu estou a cento e vinte por hora e espero conseguir chegar aos duzentos.

Horas! Que há nessas malditas horas? Não quero oito horas de sono. Quero oito de festa, oito de estrada, oito de música. Quero mais do que deitar, fechar os olhos e deixar passar a vida. Quero a vida pelo tempo que a vida me quiser.

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