To the killer

Eu enfiaria as minhas unhas na sua carne até que o sangue jorrasse. Não aceitaria fios de sangue; eu quereria poças inteiras. Gostaria sinceramente de feri-lo de forma cruel e definitiva e forçá-lo a lembrar de mim sempre que olhasse no espelho ou quando tirasse a camisa e alguém (escandalizadíssimo) apontasse as horrorosas marcas nas suas costas.

Eu queria marcá-lo de maneira a fazer com que você me tentasse expulsar através de lágrimas. Tentasse me esconder por detrás de camadas e camadas de tecido. Tentasse me esconder nas suas mentiras enormes – ah, eu queria eu forçá-lo a me ver todos os dias e matá-lo devagarzinho, homeopaticamente, com toda a culpa do mundo. Assim como você fez comigo. Assim como você me fez quando abriu aquela ferida sem cura. Eu ainda hoje me engasgo de nojo de mim vezenquando, quando me lembro do quanto eu deixei você brincar com os meus frangalhos.

Eu enfiaria minhas unhas na sua carne até você esquecer do seu nome, da sua história, da sua habilidade de dissimular. Eu te faria uma massa amorfa de restos do que você foi, pra você entender. Pra você entender.

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