Hatful of hollow

É que você é bonito e eu estou bêbada. Não é realmente um amor desses de arrasar quarteirão, é só uma tentativa de sentir alguma coisa (ainda que pequena, ainda que alterada, ainda que nublada pela quantidade obscena de bebida barata). É que você tem olhos que não são bem azuis e não são bem verdes e tem um quê de castanho e você me lembra muito uma pessoa da qual eu gostaria de não lembrar sempre, e isso me parece absurdamente irresistível. Então eu pego a garrafa entre meus dedos trêmulos, encho a dose até o gargalo do copo alto e penso que, bem, talvez se eu beber um pouco mais, você se transforme inteirinho em quem eu realmente gostaria que você fosse. Você é bonito e eu estou bêbada e essa é uma combinação terrível, mas quem é que se importa? Certamente não eu. Certamente não você. Vamos quebrar nossas solidões entrelaçando nossos braços e gritando que não precisamos de ninguém. Vamos entrelaçar nossos dedos e dizer que, olha, podia ser pior (não podia?). Quando a gente troca os nomes e não percebe, é porque a coisa já desceu pelo ralo mesmo. Eu não me importo; que você me chame do que você quiser. Sua alcunha já está dada na minha cabeça. Eu não me importo. É que você é bonito e eu estou bêbada. E dói quando eu olho pra você e não te vejo, mas você também não me vê.

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