Tenho lido muitos livros. Tenho ouvido muitas músicas. Tenho abandonado os programas em conjunto mais cedo com desculpas esfarrapadas – coisas como: preciso terminar trabalhos, preciso limpar a casa, preciso fugir dessa balbúrdia porque tenho que fazer algo muito, mas muito importante, só que não sei agora o que é. Tenho fugido de gente. De tudo o que é muito humano. Eu já não me vejo muito como de carne e osso; sou farrapo, resto, migalha. Não sei mais lidar com quem me olha nos olhos porque tudo o que me despe me deixa amedrontada e chorosa. Não quero ser confrontada comigo mesma. Não posso ser. Deus me livre ficar tão nua sem tirar uma peça de roupa sequer. Eu gosto dos meus disfarces. Eu gosto do meu silêncio. Eu não gostava, detestava, mas tenho preferido as quatro paredes claustrofóbicas do meu quartinho isolado do que qualquer outro espaço. Qualquer outro lugar que me obrigue a levantar a cabeça e fingir que não quero sair correndo e me fundir com os meus cobertores. Eu tenho meus livros; eu não preciso de vozes. Eu tenho meus filmes pra me contar causos e histórias trágicas. Eu discuto relação com atores que eu nunca conheci e está tudo bem entre nós. Sou quase casada com uns escritores amadores que encontro por aí, tão perdidos quanto eu, emaranhados nas próprias linhas, fazendo amizade com o diabo que dorme na porta esquerda do armário. Eu tenho meus livros. É minha poesia que me salva de mim. E ela é tão banal e fácil quanto eu, mas é tudo, tudo o que eu tenho.

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