De manhãzinha

Eu tenho amado as dores que caracterizam a minha vida. Todas as perdas – essas que eu sei por nome e das quais me lembro às seis e quinze da manhã, quando o meu cérebro está começando a despertar ainda -, todas as brigas, todas as coisas que eu daria o mundo para ter dito quando eu tive chance. Eu amo toda e cada uma elas, por mais que me arranquem lágrimas quando eu estou sentada sozinha na cozinha e, de pijama, penso que não gostaria de sair com a cara inchada. Acho que tem algo muito singular nesse meu apreço pela desgraça passada. Acho que consigo, hoje com um pouco mais de maturidade, entender que foi necessário para o meu crescimento dar adeus para muito do que já me fez tão feliz. Encontrei novas válvulas, encontrei novas palavras e discursos, me metamorfoseei em algo menos desastroso para mim (e para os outros)… Isso deve ser bom, de alguma forma. Estou longe ainda do meu nirvana pessoal, mas acho que estou caminhando para algum lugar. Sinto saudade. É claro que sinto. Não tenho como não fazê-lo. A diferença que eu percebi hoje, olhando pela janela o mundo que acabava de acordar, é que eu não tenho a menor necessidade de voltar e fazer, refazer, trocar. É do jeito que é. Tem que ser do jeito que foi. E ficar masturbando o que passou como se houvesse qualquer possibilidade de fazer diferente é uma tortura pela qual eu não quero mais passar. Finalmente.

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