Credo

Creio em tudo aquilo que posso tocar
No que não me foge da prova dos olhos
Nas santidades que dançam, bebem e comem
Na vulgaridade humana
Creio na bondade dos estranhos
E na maldade sem medida dos que estão por perto
Desconfio dos beatos
Estes que muito falam e pouco fazem
Estes que forjam posturas altivas
E transformam palavras em navalhas
Desconfio do amor que todos prometem ter
Sabendo, sem surpresa alguma
Que basta muito, mas muito pouco
Para que um beijo vire um punhal
Creio que tudo que nasce só
Acaba por morrer só
Creio que basta não acreditar no inferno
Para se escapar dele
Creio que as máscaras despencam
No primeiro movimento brusco
Creio no homem que só aprende a viver
Quando inevitavelmente morre
Amém.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s