Das tentativas

Me conta: já te escreveram poesia alguma vez? Eu sou horrível com métrica, eu não usei bem como funcionam as regras, rimo amor com dor, razão com coração e ainda faço cara de intelectualóide pra dizer obviedades sentimentais, mas juro que gostaria de tentar te escrever alguma coisa. Alguma coisa avassaladoramente bonita, escandalosamente sensual, com muitos advérbios de intensidade, exclamações, CAIXA ALTA e grandes rompantes de paixão agressiva. E com um léxico invejável, também. Tentei pensar em coisas que fizessem jus à cor do seu cabelo, que até hoje eu não decidi bem qual é, e mudei para o próximo tópico. Pensei em dar detalhes sórdidos, narrar pensamentos dos quais eu não deveria me orgulhar (mas olha, me orgulho bastante – minha imaginação merece uma estrelinha dourada por tudo o que ela consegue criar), mas não acho que você gostaria tanto assim. Acho que prefiro te dizer certas coisas pessoalmente, olhando nos seus olhos e admirando o rubor tomar conta do seu rosto, da sua garganta. A garganta é um charme à parte. Seu pescoço alongado te faz uma espécie de divindade. Imagino você estátua grega, olhar perdido no horizonte, mãos em posição de agradecimento ou oferecimento. Ou o contrário disso tudo. Mãos agressivas, fechadas, posição de combate e você negando, negando a minha mania de ver sempre o que tem de melhor em você. Já te escreveram poesia? Já devem ter te escrito odisséias e ilíadas e você nem sabe. Com um par de pernas que se estendem por quilômetros, dedos delicados e um sorriso que derrete platina, como não? Tentei assim:

Me desfaço em lágrimas com seus olhos que são água

Não sei fazer poesia, você sabe que não. Mas queria te dizer qualquer coisa milimetricamente planejada, tão linda, mas tão linda que você abandonaria qualquer plano e viria aqui me dar um beijo e um abraço e dizer que eu sou uma romântica das mais piegas e por favor, por favorzinho, nunca tente me escrever mais nada, só me deixe sentir o que você fala com a sua proximidade, com os seus lábios fechados, com o vermelho das suas bochechas gigantes. Não me escreva nada, me viva, me conte, me cante em silêncio, que seja. E eu diria algo assim: então fazemos um acordo, que tal? Deixo pra lá meu vocabulário tosco e minha mania de tentar de falar qualquer coisa indizível. Você certamente é melhor em carne e osso do que no papel.

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