Last night I dreamt

No fundo, eu acho que você sabe. Sabe… mas vira os olhos e muda de assunto e se distrai com os ladrilhos do chão, com os cães que passeiam, com os restos de cigarros pisados na calçada. Não acho possível que você não veja minhas mãos nervosas, meus lábios mordidos, minha expressão de quem gostaria de encontrar palavras adoráveis e ridiculamente interessantes para prender sua atenção, sempre tão fugidia.
No fundo, eu acho que você sabe que tem sido para você todos os meus contos, meus parágrafos despidos de inteligência e encharcados de babaquice encantada. Acho também, entretanto, veja: isso não faz qualquer diferença. Sempre existem ladrilhos a serem observados com minúcia, mas é claro. Sempre existem cães adoráveis que caminham de um lado para o outro – e por esses bichos, que fique claro, não sinto nada menos que um amor dos mais viscerais. Sempre existem cigarros a serem fumados e jogados nos restos que estão São Paulo afora. Sempre existe uma São Paulo inteira que não sou eu.
Tudo bem. Não levo a mal. Desacelero. Retorno, passo a passo, em marcha ré, para o meu lugar de sempre. Fujo de volta para mim. Mais uma história velha num formato novo.

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