A moça

Ela tinha cabelos que nunca chegavam a crescer porque ela sempre dava um jeito de cortá-los, arrebentá-los, raspá-los antes do tempo. Fazia sempre a promessa: vou deixá-lo comprido, prometo. Essa é a minha última experimentação, depois eu vou sossegar. A verdade é que era difícil prever o que ela faria na semana ou no dia seguinte: a moça tinha uma obsessão estranha em mudar. Uma espécie de síndrome, não sei bem. Múltiplas personalidades? Não diria. Falava sempre igual e nunca mudava o jeito de prolongar as sílabas e criar palavras novas. Mudava de pensamento, é claro, mas até aí… quem não muda?
(O curioso era que as transformações dela eram abruptas, violentas, curiosas e não duravam muito tempo. Parecia que tinha medo de se olhar no espelho e se reconhecer.)

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