Marinheiro só

Você não tem coração, não tem. O que você tem é esse impulso de destruição e um puta de um narcisismo desenfreado, maior do que seus um e oitenta e poucos de altura. Tudo o que você quer é ver morrer – a morte alheia alimenta esse seu tesão desmedido. Que desejo pulsante pela implosão do amor próprio de outrem você tem, marinheirinho. Pára de falar de amor com essa língua de cobra. Pára agora. Você não entende o amor porque não entende doação. Seu horror à fidelidade – e deus sabe que não estou falando de nada carnal – não vem de um espírito livre, mas de uma incapacidade tocante de ter empatia, de enxergar qualquer coisa que ultrapasse a portinha do seu quarto de dormir.
Pois que fique, menino, trancado aí no seu convés. Pois que fique e faça bom proveito. Cansei de enfrentar marés cheias e intempéries em busca de grandes tesouros. Eu e meu barquinho saímos agora atrás de terra firme.

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