Sam

Riu ruidosamente, em parte pela minha cara engraçada, em parte pelo vinho subindo. Eu, deitada de barriga para cima, os olhos turvos, a boca entreaberta, analisava a inexistência das estrelas de São Paulo e pensava, pensava, pensava. Então me veio a pergunta: por que tão calada? E eu respondi logo a seguir alguma coisa mais ou menos assim: me veio essa vontade esquisita de escrever sobre esse momento e sobre o fato de não ter nada nesse céu e sobre essa noite que, como todas as noites, acabou acontecendo. Mas tudo é texto pra você? Sim, eles vêm do nada, serpenteando no meu cérebro nervoso, loucos para saírem de mim e virarem não uma coisa grandiosa, mas uma espécie de expurgo, de catarse, qualquer coisa assim. Mas tudo é texto pra você? Sim, tudo é texto pra mim, tudo vira poesia quando eu estou bem, despida das coisas, sentindo, vivenciando, corpo presente – e estar presente é tão difícil pra mim que eu comemoro quando isso acontece.

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