Eu te amava, seu filho da puta, mas o único amor que você conhece é essa coisa doentia que você definiu sozinho. Eu te amava, mesmo, porque não sabia quem você era – e nessa minha cabeça (talvez quase tão problemática quanto a sua, embora eu não me orgulhe disso), você era um misto de amigo e sonho sem precedentes.

Eu te amava, seu filho da puta, porque você falava coisas que não pensava para me ver cair de amores pela sua personagem. E hoje eu te olho como quem não acredita no que vê, porque aquilo, aquele ente de adorabilidade e gentileza, morreu. Morreu de maneira trágica e deixou um duplo de olhos mortos e sorriso tétrico, viciado em mentirinhas sórdidas, obcecado por parecer-se com a antítese de tudo o que é bom e decente.

E você me diz que sou eu a errada, que eu deturpo sentimentos com a minha mania de abraçar o mundo e eu grito: enfie a língua na garganta e morra engasgado. Você e a sua hipocrisia podem ir chorar miséria noutro cantinho, bem longe de mim. Você e o seu amorzinho ridículo que só existe quando tem alguém de joelhos e acorrentado na porta do seu quarto.

Você não sabe o que é amor porque você não ama ninguém. E nunca, nunca amou.

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